4 de agosto de 2010

Doente com Alzheimer pode ficar sozinho em casa?

Arquivado em : Alzheimer — Publicado por Tania Scripilliti 15:09
 

Hoje na Grupoterapia, a mãe de um familiar teve uma isquemia. Foi um susto muito grande, pois pensou que a mãe fosse morrer.

O médico disse que esses episódios são comuns na doença de Alzheimer.

Tivemos notícia de outro familiar participante da Grupoterapia, cuja esposa teve um “desmaio”, caiu e machucou-se.

Outra familiar relatou que a mãe já teve, por duas vezes, perda dos sentidos – uma espécie de ausência.

O grupo todo se mobilizou com os relatos, pois há familiares que deixam seu doente sozinho em casa. Instalou-se o receio de que um episódio desses pode acontecer de repente, e não ter ninguém para acudir o doente.

Como se preparar para enfrentar todas essas adversidades? Ouvimos algumas histórias e algo ficou no ar: “Não estou preparada!”

Porém, um fato ficou bem claro: é perigoso deixar o doente sozinho em casa, pois por melhor que ele pareça estar, sempre poderá ocorrer algum episódio inesperado.

No entanto, nem todas as pessoas tem disponibilidade financeira de ter um acompanhante para seu doente. Mas, mesmo assim, é preciso encontrar uma solução, uma resposta adequada para cada família, de modo que um único membro não fique sobrecarregado com os cuidados que o doente com Alzheimer necessita em cada fase da doença.

Veio à tona também a discussão sobre o doente sair sozinho, caminhar sozinho na praia, ir até a padaria, enfim, fazer trajetos conhecidos.

Alguém lembrou que um certo dia, quando a mãe levou o cachorro pra passear, como fazia todos os dias, não encontrou o caminho de volta para casa, e por sorte, pessoas conhecidas do bairro ajudaram-na. Foi desta forma que a família percebeu que havia algo de errado.

A necessidade de ter sempre uma identificação junto ao doente foi reforçada pelo grupo. Pode ser um cartão com telefone no bolso, uma placa pendurada num cordão ( como dos soldados), um telefone escrito com pilot na mão, enfim,  qualquer idéia é bem vinda.

Apesar das vivências dolorosas e inquietadoras trazidas, tivemos uma comemoração de aniversário.  De novo, Vida X Morte.

Há sempre uma mistura de sentimentos no grupo, tal qual na vida. Procuramos acessa-los todos, reforçando sempre a força, a energia, a fé e a valorização dos aspectos bons, mantendo pensamentos positivos.

1 de agosto de 2010

A família do doente com Alzheimer adoece também?

Arquivado em : Alzheimer — Publicado por Tania Scripilliti 12:41
 

Ir ao neurologista, geriatra, psiquiatra, fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, nutricionista, musicoterapeuta… OK, levo meu familiar para os diversos profissionais de saúde.  Ele está doente, ele precisa ser tratado eu não preciso.

A demência desestrutura toda a família. Quando tudo parecia estar bem, vem a doença e aparecem os conflitos, que antes descansavam debaixo do tapete.

É frequente a resistência da família em buscar ajuda para si mesma, já que não se considera doente.  Resistência em buscar apoio, tratamento psicológico, em cuidar-se, tratar dos seus sentimentos e emoções, das suas dificuldades. Reunir-se para dividir cuidados, para buscar soluções.

Não é fácil aceitar a doença de seu familiar, elaborar as perdas que ocorrem diariamente, até o ponto de não reconhecer mais naquele sujeito, a pessoa com quem você conviveu tantos anos, tal a devastação que a doença provoca. É como se a pessoa morresse um pouco a cada dia. Mas, não conseguimos sair do circulo vicioso, repetindo todos os dias o mesmo comportamento, reagindo ao doente como se ele estivesse são, como se ele conseguisse raciocinar com lógica.

Os relatos que escutamos dos familiares são repetições contínuas do mesmo comportamento em relação ao doente, dos mesmos diálogos, das mesmas histórias.

Até que chega o momento que na Psicoterapia, depois de repetir inúmeras vezes a sua fala sem se dar conta, o familiar passa a escutar sua própria fala e a ter uma consciência maior dos seus atos, conseguindo sair do piloto automático para ter a possibilidade de encontrar soluções mais criativas para seu conflito diário.

“Não compartilhamos das dores dos outros”.

Cada um responde a dor de sua própria maneira. Esta experiência nos mostra como estamos separados uns dos outros.

No entanto, a Psicoterapia pode ajudar o familiar a se ver mais interiormente, a se compreender, se aceitar para estar com o outro de forma mais harmônica e humana.

A força motivadora para iniciar na Grupoterapia é o sofrimento do familiar, que sozinho não se basta, não dá conta.

Humanizar não é só uma mudança na estrutura física. Muitas vezes, ao se falar de qualidade de vida, privilegia-se apenas a estrutura física.

Os profissionais de saúde devem estar atentos a este conceito, procurando vivenciá-lo em sua prática diária.

O que é humanizar?

1 – É dar afeição e condição humana.

2 – É aprimorar a atenção à família.

Por vezes, o avanço tecnológico não acompanha o desenvolvimento humano.

Tarefa do psicólogo

Oferecer ao familiar uma possibilidade de ressignificar e elaborar seu sofrimento para tomar outra posição no seu cotidiano junto ao seu doente.

Uma possibilidade de mudança. Mas para MUDAR é preciso CORAGEM!