Hoje na Grupoterapia, a mãe de um familiar teve uma isquemia. Foi um susto muito grande, pois pensou que a mãe fosse morrer.
O médico disse que esses episódios são comuns na doença de Alzheimer.
Tivemos notícia de outro familiar participante da Grupoterapia, cuja esposa teve um “desmaio”, caiu e machucou-se.
Outra familiar relatou que a mãe já teve, por duas vezes, perda dos sentidos – uma espécie de ausência.
O grupo todo se mobilizou com os relatos, pois há familiares que deixam seu doente sozinho em casa. Instalou-se o receio de que um episódio desses pode acontecer de repente, e não ter ninguém para acudir o doente.
Como se preparar para enfrentar todas essas adversidades? Ouvimos algumas histórias e algo ficou no ar: “Não estou preparada!”
Porém, um fato ficou bem claro: é perigoso deixar o doente sozinho em casa, pois por melhor que ele pareça estar, sempre poderá ocorrer algum episódio inesperado.
No entanto, nem todas as pessoas tem disponibilidade financeira de ter um acompanhante para seu doente. Mas, mesmo assim, é preciso encontrar uma solução, uma resposta adequada para cada família, de modo que um único membro não fique sobrecarregado com os cuidados que o doente com Alzheimer necessita em cada fase da doença.
Veio à tona também a discussão sobre o doente sair sozinho, caminhar sozinho na praia, ir até a padaria, enfim, fazer trajetos conhecidos.
Alguém lembrou que um certo dia, quando a mãe levou o cachorro pra passear, como fazia todos os dias, não encontrou o caminho de volta para casa, e por sorte, pessoas conhecidas do bairro ajudaram-na. Foi desta forma que a família percebeu que havia algo de errado.
A necessidade de ter sempre uma identificação junto ao doente foi reforçada pelo grupo. Pode ser um cartão com telefone no bolso, uma placa pendurada num cordão ( como dos soldados), um telefone escrito com pilot na mão, enfim, qualquer idéia é bem vinda.
Apesar das vivências dolorosas e inquietadoras trazidas, tivemos uma comemoração de aniversário. De novo, Vida X Morte.
Há sempre uma mistura de sentimentos no grupo, tal qual na vida. Procuramos acessa-los todos, reforçando sempre a força, a energia, a fé e a valorização dos aspectos bons, mantendo pensamentos positivos.
