12 de outubro de 2010

Luto na Doença de Alzheimer

Arquivado em : Alzheimer — Publicado por Tania Scripilliti 17:36
 

Assisti uma entrevista feita com a Cissa Guimarães por ocasião da trágica morte de seu filho, quando ela falava da importância de viver o luto em todas as etapas e da ajuda que vem tendo de uma Psicoterapeuta, no que chama de “Terapia do Luto”.

Então, pensei nos familiares dos doentes com Alzheimer, que começam a viver o Luto desde quando a doença se instala, ainda em vida. É uma perda constante, a cada dia aquela pessoa vai se transformando em outra.

Cissa explicava na entrevista que o sentido da perda de seu filho foi fazê-la parar e refletir, para tornar-se uma pessoa melhor. Dizia também que tinha consciência de que ela nunca mais seria a Cissa de antes.

Temos dificuldade de falar sobre a morte e sobre a importância de viver todas as etapas do Luto. Desde as coisas objetivas como o que fazer com o quarto, com as roupas e coisas, até a comemoração do Natal, dos Aniversários, até completar o Primeiro Ano da morte.

No doente com Alzheimer este Luto pode durar muitos anos, pois apesar da pessoa estar viva, vai se desligando de si mesma, do mundo e das pessoas a sua volta, lentamente.

O familiar do doente com Alzheimer precisa, em cada etapa do seu luto, expressar seus sentimentos e sua dor e buscar ajuda para compreender melhor a situação que vivencia.

Talvez, compreender que existe um sentido para tudo isso, um motivo para esta Doença de Alzheimer vir morar em sua casa.

Esta reflexão é importante de modo a dar um novo significado à vida e seguir em frente, sem revolta ou vitimização.(Embora estas fases possam ocorrer, “Por que eu?” Ou “Eu não mereço passar por isso!” “Pobre de mim!”).

Percebendo o aprendizado de cada dia, revendo seus valores, fazendo uma viagem para seu interior em direção a uma MUDANÇA, a uma TRANSFORMAÇÃO.

De repente, nos damos conta da fragilidade de nossas vidas, de como damos importância para coisas pequenas. E num único instante, morremos! Todos temos um tempo aqui nesta vida, e é importante viver bem neste tempo, procurando melhorar a cada dia. Se acreditarmos que tudo não termina aqui, fica um pouco mais fácil compreender e aceitar.

Cada um vai ter seu tempo de Luto, e devemos respeitar a individualidade de cada um. O tempo para elaborar a perda, o tempo para expressar a dor, para ficar triste, para chorar.

Às vezes, ficamos ansiosos demais em alegrar aquele que perdeu um ente querido, mas é preciso respeitar seu tempo – estar junto com ele, apoiar, abraçar, escutar…sem pressa.

A lembrança e a saudade ficarão para sempre, mas vai chegar o dia de encontrar forças para voltar à luta, para encontrar um novo sentido, para continuar.

Cada um vai sobreviver a sua maneira: uns superam a perda focando nas boas lembranças, outros buscando fazer aquilo que faria seus queridos felizes, outros buscando ajudar pessoas na mesma situação…

E sempre fazendo a si mesmo a pergunta:

“O que eu aprendi ou preciso aprender com tudo isso que passei ou estou passando?”

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Isolamento do familiar do doente com Alzheimer

Arquivado em : Alzheimer — Publicado por Tania Scripilliti 16:15
 

No grupo de familiares de doentes com Alzheimer, quando falamos dos “nossos medos”, um tema surge rapidamente: SOLIDÃO.

Na verdade, muitas coisas passam pela cabeça de quem vive a desgastante rotina da Doença de Alzheimer. No entanto, o isolamento social é fato. E se não for combatido, acaba em depressão ou  em algum tipo de doença, até mesmo em morte.

Quando perguntamos aos familiares sobre seus amigos, a maioria responde que seu melhor amigo é o seu familiar doente com Alzheimer. A mãe, o marido, a esposa… Será mesmo?

Questionamos então se estes  seriam os amigos com quem falamos sobre nossas questões, nossas dúvidas, com quem desabafamos, trocamos idéias, hobbies, praticamos esportes, alegrias e tristezas, conselhos, risos, ou mesmo jogamos conversa fora.

Talvez, estas pessoas já abandonaram seus amigos por se dedicarem exclusivamente aos seus familiares doentes com Alzheimer. E a dedicação é tanta, que simplesmente NÃO TEM TEMPO de procurar os amigos.  Ou não se sentem no direito de respirar, ter momentos de lazer e de trocas com os amigos. Lá vem a CULPA!

Pergunte-se:  “Quando deixei de lado meu amigo ?” “Quando abandonei minhas atividades ?”

Se não procuro pelo amigo, ele acaba também não me procurando. Num relacionamento, cada parte envolvida tem 50%.  Será que estou fazendo minha parte, meus 50% ?

Não se isole! Procure seus amigos, suas atividades habituais, seus momentos de prazer. Divida melhor seu tempo, delegue tarefas e encontre um espaço para voce na agenda atribulada, peça ajuda, troque afetos e se reabasteça para estar bem ao lado do seu familiar.

Ligue para os amigos, marque encontros. Mas não fique só falando da DOENÇA, porque ninguém aguenta! Lembre-se que para falar da Doença voce tem as Associações, os profissionais de saúde, as psicoterapias de grupo e individuais, a internet…

Se voce não SE CUIDAR, cada dia será mais difícil enfrentar a Doença de Alzheimer do seu familiar querido.

De novo eu repito: A solução está em suas mãos!