Assisti uma entrevista feita com a Cissa Guimarães por ocasião da trágica morte de seu filho, quando ela falava da importância de viver o luto em todas as etapas e da ajuda que vem tendo de uma Psicoterapeuta, no que chama de “Terapia do Luto”.
Então, pensei nos familiares dos doentes com Alzheimer, que começam a viver o Luto desde quando a doença se instala, ainda em vida. É uma perda constante, a cada dia aquela pessoa vai se transformando em outra.
Cissa explicava na entrevista que o sentido da perda de seu filho foi fazê-la parar e refletir, para tornar-se uma pessoa melhor. Dizia também que tinha consciência de que ela nunca mais seria a Cissa de antes.
Temos dificuldade de falar sobre a morte e sobre a importância de viver todas as etapas do Luto. Desde as coisas objetivas como o que fazer com o quarto, com as roupas e coisas, até a comemoração do Natal, dos Aniversários, até completar o Primeiro Ano da morte.
No doente com Alzheimer este Luto pode durar muitos anos, pois apesar da pessoa estar viva, vai se desligando de si mesma, do mundo e das pessoas a sua volta, lentamente.
O familiar do doente com Alzheimer precisa, em cada etapa do seu luto, expressar seus sentimentos e sua dor e buscar ajuda para compreender melhor a situação que vivencia.
Talvez, compreender que existe um sentido para tudo isso, um motivo para esta Doença de Alzheimer vir morar em sua casa.
Esta reflexão é importante de modo a dar um novo significado à vida e seguir em frente, sem revolta ou vitimização.(Embora estas fases possam ocorrer, “Por que eu?” Ou “Eu não mereço passar por isso!” “Pobre de mim!”).
Percebendo o aprendizado de cada dia, revendo seus valores, fazendo uma viagem para seu interior em direção a uma MUDANÇA, a uma TRANSFORMAÇÃO.
De repente, nos damos conta da fragilidade de nossas vidas, de como damos importância para coisas pequenas. E num único instante, morremos! Todos temos um tempo aqui nesta vida, e é importante viver bem neste tempo, procurando melhorar a cada dia. Se acreditarmos que tudo não termina aqui, fica um pouco mais fácil compreender e aceitar.
Cada um vai ter seu tempo de Luto, e devemos respeitar a individualidade de cada um. O tempo para elaborar a perda, o tempo para expressar a dor, para ficar triste, para chorar.
Às vezes, ficamos ansiosos demais em alegrar aquele que perdeu um ente querido, mas é preciso respeitar seu tempo – estar junto com ele, apoiar, abraçar, escutar…sem pressa.
A lembrança e a saudade ficarão para sempre, mas vai chegar o dia de encontrar forças para voltar à luta, para encontrar um novo sentido, para continuar.
Cada um vai sobreviver a sua maneira: uns superam a perda focando nas boas lembranças, outros buscando fazer aquilo que faria seus queridos felizes, outros buscando ajudar pessoas na mesma situação…
E sempre fazendo a si mesmo a pergunta:
“O que eu aprendi ou preciso aprender com tudo isso que passei ou estou passando?”
