Resolvi escrever sobre o assunto, pois na semana passada fui a um Workshop, onde uma Psicóloga defendia a Psicoterapia para doentes com Alzheimer em fase inicial. Dizia ela que o objetivo é o doente ter um espaço para expressar seus sentimentos de medo, tristeza e ansiedade e também elevar sua autoestima.
Dizia que o tempo de duração desta Psicoterapia é limitado pelas condições do paciente e que dependia sempre do familiar cuidador concordar com o tratamento.
Questionei se o doente com Alzheimer frequentava a Psicoterapia de bom grado, se não apresentava resistência ao tratamento. Na minha experiência, os doentes com Alzheimer resistem até mesmo em ir ao médico, fazer fisioterapia, ou outros tratamentos, principalmente no início da doença, quando ainda tem vontade própria e comandam a sua vida com certa independência.
Neste momento, eles disfarçam os sintomas e escondem o que sentem, em sua maioria, dizendo que não precisam de médico porque não estão doentes. Qualquer coisa que explicite as dificuldades que sentem, é recusada. Sempre com saídas ¨honrosas¨, que nos fazem até duvidar se estão realmente doentes naquele instante.
Fiquei pensando também que para acontecer uma Psicoterapia é preciso construir uma relação entre paciente e terapeuta, que na verdade são companheiros de viagem. É preciso também que o paciente queira se relacionar, que tenha alguma percepção de que está precisando de ajuda para dar conta do que está sentindo.
E qual será a demanda deste paciente? O que ele espera da terapia? Como, eu terapeuta posso ser de algum auxílio para este paciente?
A pedido dos filhos, atendi 5 pacientes com Doença de Alzheimer. Na verdade, eram os filhos que se sentindo impotentes para ajudar, mas percebendo que as mães sofriam, foram buscar ajuda.
¨Quem sabe, minha mãe precise desabafar com alguém? Talvez ela queira falar coisas com uma psicóloga, que não gostaria de falar comigo, que sou sua filha.¨
¨Minha mãe anda tristonha e não quer mais fazer as atividades habituais. Talvez uma psicóloga possa ajudá-la.¨
Os resultados foram diversos, e depois de 2 a 5 consultas, os pacientes começavam a não querer mais fazer a terapia. Ou, seriam os filhos que não observando nenhum ¨milagre¨, nenhuma mudança aparente, diziam que não adiantava nada fazer terapia. E os pacientes dependiam dos filhos para pagar o tratamento.
Realmente, não sei avaliar se o paciente com Alzheimer tem condições de estabelecer um vínculo relacional e afetivo necessário para o estabelecimento de um relacionamento confiável e seguro que uma Psicoterapia requer.
Talvez outras abordagens , tais como estimulação cognitiva, terapia ocupacional, musicoterapia ou arteterapia possam dar resultados mais consistentes nos pacientes ainda na fase mais leve da Doença de Alzheimer. E o psicólogo, pode por meio destas abordagens chegar até o paciente, de modo que ele expresse seus sentimentos e canalize sua ansiedade.
Eu não tenho a resposta certa!!!!
No entanto, acredito que todas as tentativas são válidas e que não devemos desistir. As pessoas são diferentese tem reações distintas. Penso que com a informação que temos hoje disponível sobre as demências, e principalmente sobre a Doença de Alzheimer, os pacientes mais esclarecidos de sua condição de saúde, podem querer optar por buscar ajuda psicológica para enfrentar as mudanças pelas quais estão passando.
O tempo de alguns pacientes de hoje, que não sabem que doença tem porque a família não autoriza o médico a dizer a verdade, dos que não querem saber nem se informar, dos que não tem acesso a Internet e ao Google para pesquisar sobre seus sintomas, está acabando.
E nos novos tempos da Informação compartilhada, talvez, possamos dizer que algum tipo de Psicoterapia com Doentes com Alzheimer é possível.
E voce, leitor, o que acha?
