15 de maio de 2011

Meu marido com Alzheimer não aceita cuidadores

Arquivado em : Alzheimer — Publicado por Tania Scripilliti 18:27
 

Esta semana, no Grupoterapia da APAZ, com familiares/cuidadores de doentes com Alzheimer, o tema que uma participante mais nova no grupo trouxe foi:

¨Meu marido não aceita que outra pessoa cuide dele além de mim!¨

Acrescento a este relato, que esta participante já tem bastante idade, é diabética e hipertensa, que seu marido com doença de Alzheimer tem mais de 90 anos e ainda caminha, executando as atividades de vida diária com supervisão, tendo memória e cognição bastante prejudicadas e apresentando comportamentos por vezes inadequados. Acorda e caminha pela casa durante a noite, e ela não consegue dormir direito, ficando cansada durante o dia. Está visivelmente estressada pela situação. São casados há mais de 50 anos.

Para que ela saia de casa ou tenha alguma atividade, o filho precisa ficar cuidando do pai.

Ela veio buscar ajuda na APAZ após muita insistência da filha, e após obter as informações necessárias e assistir a Reunião Mensal da APAZ, foi encaminhada para o Grupoterapia.

O grupo todo foi unânime em lhe dizer com muito carinho que ela estava precisando de alguém para ajudá-la, mas ela insistia chorosa que o marido não aceitava uma pessoa estranha em casa.

O grupo apresentou muitas sugestôes, contando suas experiências e como cada um foi resolvendo questões deste tipo ao longo do tempo.

Lembraram a ela que os cuidadores que conhecem a doença, tem bastante paciência para lidar com este tipo de rejeição, e com o tempo, os doentes acabam aceitando seus cuidados. Também lembraram que talvez um cuidador do sexo masculino fosse melhor aceito, pois por vezes o doente se sente constrangido por cuidadores do sexo oposto. Outros doentes, pelo contrário, só gostam de cuidadores, fisioterapeutas, etc… do sexo oposto, pois revivem suas fantasias… Falar com o médico e relatar que o paciente não dorme durante a noite. Dormir em quarto separado para poder ter forças no dia seguinte para tomar as decisões necessárias aos cuidados com o doente. E lembraram que seu marido não tem mais discernimento para tomar decisões importantes, e ela é que tem que escolher o que é melhor.  Enfim, muitas foram as sugestões.

O importante, foi ressaltado, é que ela aceite ajuda. E experimente uma solução, até acomodar a situação. E encontre a sua solução. A mais adequada para a harmonia de sua casa e de sua família!

Uma coisa é certa: O familiar/cuidador não tem que viver em desespero. É preciso buscar ajuda e soluções.

Será que não é você que não quer alguém estranho cuidando do seu marido? Será que ninguém vai saber cuidar tão bem como você? Por mais duro que seja, questione-se!

E saiba que se você estiver bem, seu doente estará bem. Se você estiver certa de que está fazendo o melhor, o seu doente com Alzheimer ficará bem e aceitará suas decisões.

1 de maio de 2011

Estresse do Familiar do Doente com Alzheimer

Arquivado em : Alzheimer — Publicado por Tania Scripilliti 22:04
 

Muito já falamos sobre o desafio que é ser um familiar/cuidador de um Doente com Alzheimer. O tempo todo insistimos que o familiar cuidador tem que se cuidar em primeiro lugar, para poder dar conta de cuidar de seu Doente com Alzheimer.

Parece fácil seguir estas orientações. Parece simples e tranquilo. Parece óbvio.

No entanto, no dia a dia de convivência com os familiares dos Doentes com Alzheimer, observamos que mesmo com todo o preparo, com toda a informação disponível, com toda ajuda da APAZ e da Psicoterapia de Grupo, os momentos de estresse comparecem sem cerimônia nenhuma na vida dos familiares dos Doentes com Alzheimer.

Estávamos comemorando a Páscoa, aproveitando o tema do renascimento, do recomeço, de deixar morrer o que não queremos mais em nossas vidas e deixar nascer o melhor de nós mesmos, quando uma participante do Grupoterapia da APAZ sentiu-se mal.

Ela havia passado momentos difíceis com sua mãe com Alzheimer em outros tempos, mas, ultimamente, tudo parecia correr bem e estar sob controle.

Por que estaria passando mal? Seria baixa de pressão, presão alta? Era um mal estar que parecia um enjôo do estômago, mas ela não havia feito nada fora de sua rotina.

Resultado: foi levada à emergência de um Hosital e detectado um infarto, e ela foi para UTI para observação. Segundo os médicos, sua sorte foi ter sido socorrida a tempo.

Mas pensam que ela queria ir para o Hospital? Queria que alguém da família fosse chamado? Claro que não! Insistia que já estava bem e não queria incomodar ninguém.

O estresse de pegar para si toda a responsabilidade com sua mãe, Doente com Alzheimer, de não querer ¨incomodar¨ outros familiares, de não compartilhar o peso que carrega, de não pedir ajuda, de pensar que tem o controle sobre tudo, um dia aparece e com consequências graves. O corpo fala e se expressa.

O sinal de alerta foi acionado! O que fazer? Será que agora eu vou aprender algo com o que me aconteceu? Será que vou me cuidar e me modificar? Será que vou valorizar minha saúde, minha vida?

Cuidado com o estresse excessivo em sua vida! Encontre maneiras de lidar melhor com ele, sem precisar adoecer. Vamos tentar buscar respostas mais positivas e saudáveis para solucionar nossas dificuldades.

Mas, não pense que é fácil. Depende de você!