Estava na APAZ, Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, entrevistando uma senhora que levada pelos filhos, queria saber como funcionava a Grupoterapia da APAZ para os familiares de doentes com Alzheimer.
Esta senhora, 82 anos, me relatava sua luta com a doença de Alzheimer do marido, 85 anos.
Num dado momento do nosso encontro, contou-me que seu marido se consultava com uma geriatra, muito competente e muito recomendada.
Numa das consultas, o marido ficou muito irritado porque a médica geriatra ficava escrevendo no computador, enquanto falava com ele. E mesmo com toda sua doença, num momento de lucidez, ele disse para a médica que não falaria com ela enquanto ela não olhasse para ele.
Este episódio ilustra e reforça a necessidade do olho no olho, a importância do contato de qualquer profissional de saúde com seu paciente.
A tecnologia é mera auxiliar, é complemento, e nunca vai substituir a atenção, o olhar, a relação que precisa se estabelecer entre duas pessoas, dois seres humanos.
Outro dia, 12/08, numa entrevista ao Bom Dia Brasil, na Rede Globo, um médico oncologista paulista falando a respeito do Linfoma de um ator de TV, ressaltou a importância do exame clínico para diagnóstico precoce. Mencionou que muitos médicos não examinam o paciente e só pedem exames.
De novo, somos gratos pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que cada dia mais auxiliam na cura e no tratamento de muitas doenças.
Mas, é preciso que aconteça o desenvolvimento humano, o desenvolvimento das relações humanas para que possamos olhar nossos pacientes, olho no olho, como nós também gostamos de ser olhados. Escutar o que nos dizem com o olhar, com suas expressões faciais, com sua expressão corporal.
Verdadeiro encontro de dois seres humanos, com respeito e dignidade.
