Já tnha lido um livro que relatava a história de uma nora cuidadora da mãe de seu marido que tinha doença de Alzheimer. Esta nora foi tão dedicada que não deixava que ninguém cuidasse da sogra, pois na sua visão, ninguém sabia cuidar como ela. Ninguém fazia direito e tão perfeito como ela.
Aos poucos, foi deixando todas as suas atividades de lado. Também foi deixando de dar atenção ao marido, filhos, amigos, parentes. Sua vida passou a ser cuidar da sua sogra. Nada mais tinha sentido pra ela.
Bem, o final desta história você, leitor, deve estar adivinhando. A sogra morreu, ela ficou com um enorme vazio em sua vida, já não tinha atividades nem relacionamentos. Para ela, a vida perdeu o sentido e entrou em profundo sofrimento e depressão.
Sofrimento que poderia ter sido evitado se ela tivesse orientação e ajuda!
É o que tentamos fazer lá no nosso grupo na APAZ. Hoje temos duas noras cuidadoras participando do grupo. Uma entrou recentemente e é bem jovem.
Não é muito comum que as noras participem ativamente dos cuidados com os doentes com Alzheimer. O grupo todo elogia muito esta disponibilidade, esta abertura do coração.
A troca entre elas tem sido importante, pois as queixas em relação ao comportamento dos doentes se repetem. Mas, quando você é filho, filha, é muito diferente de quando você é nora.
Nestes casos, é importante que o filho, o marido das noras cuidadoras, seja também um cuidador compartilhando todos os cuidados com o doente. Esta parceria é essencial para a saúde mental e psicológica de todos.
A parceria e o diálogo constante do casal, avaliando cada momento da doença, o peso que é para cada um, e as decisões de como será o cuidado, que ajuda terão, onde vai morar o doente, na casa de quem, se vai ficar numa instituição, se vai ter cuidador profissional, e como o comportamento do doente está alterando a vida pessoal e profissional do casal. Importante que a família, filhos, netos, irmãos, seja envolvida de modo a não sobrecarregar uma só pessoa.
O relacionamento do casal precisa ser cuidado, deve haver espaço para viajarem ou estarem juntos a sós, para estreitar os laços afetivos e regarem com carinho o amor que os une.