Perda
Algumas pessoas do grupo relatam medo de perder o seu familiar, mesmo percebendo que esta perda já acontece: aos poucos para alguns, mais acelerada para outros. Aparece o medo de perder definitivamente.
Relatos de que “eu estou preparada” aparecem. Mas será que estamos preparados para aceitar a morte?
Como se preparar?
O que é se preparar?
Conscientizar-se da finitude, do fim da vida?
Acreditar que a morte não é o fim, que há algo mais?
Relatos “não quero nem pensar nisso” também aparecem. Mas, tem que pensar, é importante se acostumar com a idéia.
“Mas o que eu vou fazer quando ele (ela) se for?” “Não vou aguentar!”“Como vou ficar, se não tiver que cuidar dele (dela)?”
O cuidar do doente não pode se tornar o sentido nem o objetivo da vida de ninguém.
Chamam a isso de co-dependência.
Por isso é importante para o cuidador cuidar-se. Conhecer a si mesmo, buscar seu desejo, seus sonhos, seu sentido da vida, ter seu tempo, suas atividades – porque tudo isso vai ajudá-lo na hora da perda, vai ajudá-lo na superação da falta.
Se ele não tiver sua própria vida, pode tornar-se co-dependente do doente, pode adoecer de tanto estresse, pode morrer antes do doente. Não é raro no nosso convívio, ter familiares que adoecem devido a forte pressão emocional, chegando alguns à morte.
Importante também é viver os bons momentos, valorizar o que ainda há de bom na relação cuidador-doente. Compartilhar pequenas coisas, momentos de alegria, de risos, de cantoria, afetos e carinhos, abraços e beijos.
Essas boas lembranças é que vão ficar e nos confortar nos momentos de falta, de saudade.
Ciúme
Ciúme que o doente tem do cuidador. Como se fosse uma criança que deseja toda atenção para si – que não sabe compartilhar, que não vê o outro, porque o mundo gira em torno dela.
O doente fica o tempo todo atrás do cuidador, seguindo-o pela casa, para se certificar que está protegido, em segurança.
Como o doente vai perdendo sua identidade, o controle de sua vida, sua independência, a capacidade de julgar os fatos e suas respectivas consequências, precisa se certificar que alguém está lá, ao seu lado.
De alguma maneira, o doente sabe que depende do cuidador.
O cuidador não pode sair, falar ao telefone, conversar com a visita, dar atenção a uma criança, tomar banho, ler, descansar. Sempre está lá o doente atrás dele. Quem tem filhos pequenos, com certeza, vai lembrar-se de ter passado esta fase também com a criança pequena.
Há relatos de que as crianças não são bem vindas porque o doente disputará a atenção com elas.
Alguns doentes, no entanto, gostam de brincar com crianças pequenas porque elas não exigem a lógica adulta, que tanto os incomoda.
No entanto, como todos os comportamentos apresentados no decorrer da doença, o ciúme é apenas uma fase. E logo passará, assim que a doença progredir.
“Os pacientes com Alzheimer só pedem uma mão para segurar, um coração que se interesse e uma mente que pense por eles quando não puderem fazê-lo; alguém que os proteja enquanto viajam através dos perigosos desvios e meandros do labirinto”. Mc Gowin, Diana – “Vivendo num Labirinto”