Precisava saber mais sobre a Doença de Alzheimer e fui procurar a APAZ – Associação de Parentes e Amigos das Pessoas com Alzheimer, Doenças similares e Idosos dependentes. Funcionava, na época, numa salinha da Casa de Saúde Doutor Eiras, em Botafogo.
Conversei com Dr. Jacob Guterman, seu fundador, que me deu vasto material para estudo, apresentou-me ao seu livro, “O Bem e o Mal de Alzheimer” e convidou-me para assistir a Reunião Mensal da Associação. Pediu que eu pensasse também sobre a possibilidade de ser voluntária na APAZ. Na ocasião, conheci a Maria Aparecida Guimarães, Cidinha, vice-presidente da Apaz e outras pessoas que lá ajudavam.
Sempre tive vontade de fazer um trabalho voluntário, mas a desculpa era falta de tempo, porque eu “já trabalhava muito e não tinha hora para sair”. Desculpa boa, né? Aliás, já tinha aprendido nos Treinamentos Comportamentais da Empresa que falta de tempo tinha mais a ver com as prioridades em nossa vida do que com o tempo em si.
E aí estava bem na minha frente, uma chance de fazer um trabalho voluntário! Caiu literalmente no meu colo e não tinha mais desculpas a dar!
Viram como “Nada acontece por acaso”?
Comecei o trabalho voluntário, uma manhã por semana. Continuei a mergulhar no vasto material que existe na biblioteca da APAZ. Freqüentava as Reuniões Mensais, com informações, palestras de profissionais, depoimentos de familiares e troca de experiências. Estas reuniões são muito ricas e esclarecedoras, acolhedoras e humanas. Aprendi muito e até hoje, as reuniões me ensinam e mostram outros pontos de vista.
Como morava no mesmo bairro da Cidinha, pegava carona com ela e conversávamos bastante sobre a APAZ, sobre os sonhos que ela tinha em relação às atividades da APAZ.
Um dia, Cidinha me falou sobre a idéia de fazer um Grupo de Apoio Psicológico para os familiares interessados, uma espécie de terapia, com objetivo e formatação diferentes da Reunião Mensal da APAZ. Fiquei bastante animada com a idéia, pois adoro trabalhar com grupos. Combinei com duas colegas psicólogas, já voluntárias da APAZ, a criação deste Grupo de Apoio, como seria e quando poderíamos iniciar.
E foi assim, já na nova sede da APAZ no Centro, Rua Marechal Floriano, que iniciamos O Grupo de Apoio Psicológico em Janeiro de 2003.
A princípio com três psicólogas, mas logo, apenas Maria Clara Stockler e eu num grupo único, às segundas feiras pela manhã.
Neste mesmo ano de 2003, freqüentei o Curso de Atualização em Gerontologia da SBGG -
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro..
Em Junho de 2004, Clara e eu decidimos mudar o nome do grupo para Grupoterapia da APAZ, de modo a não confundir com a Reunião Mensal da APAZ, esta sim de apoio psicológico, e caracterizar o grupo como uma PSICOTERAPIA.
E assim continua até hoje, a GRUPOTERAPIA DA APAZ.
Em 2005, chegou o momento em que cada psicóloga ficou com um grupo, atendendo uma demanda de horários e dias diferenciados por parte das pessoas interessadas, e tivemos outras colegas colaborando como voluntárias.
Os objetivos da Grupoterapia:
- conscientização e aceitação da doença
- autoconhecer-se: quem sou? Quais são meus limites?
- entrar em contato com seus sentimentos – raiva, culpa, ansiedade, dor, vergonha, tristeza, frustração…
- cuidar-se para poder cuidar do outro
- estimular a afetividade: o carinho, o abraço, o olho no olho.
- estimular a criatividade, o bom humor
- reduzir o stress na relação doente/cuidador
- preparar-se para as perdas progressivas
- viver o aqui-agora
- possibilitar uma mudança de postura na vida
- tornar-se uma pessoa mais plena e feliz