Não é tarefa fácil essa de olhar-se, autoconhecer-se, esse caminho de crescer como ser humano.
Exige coragem, esforço, persistência para aguentar os altos e baixos, desejo verdadeiro de cuidar-se, gostar-se.
Acreditar que se eu estiver bem, seguro em minhas decisões, o meu familiar que tem Alzheimer estará bem, calmo, tranqüilo.
Restabelecer uma nova relação com seu familiar doente– revisitar antigos afetos, antigos conflitos que não foram solucionados no passado – compreender melhor e poder dar e receber afeto de uma nova forma.
Importante trabalhar o dar e receber afeto, o contato físico, o olho no olho, estimular os sentidos, a comunicação não verbal, a criatividade para lançar mão de estratégias de enfrentamento de situações inusitadas e inesperadas, tão freqüentes no decorrer da doença.
Estressado e desesperado, dificilmente alguém poderá tomar decisões sensatas e ter respostas flexíveis e criativas ao lidar com seu familiar doente.
Existe uma enorme dificuldade em aceitar a doença. Procura-se por todos os meios negar a situação. É humano. Compreender que todas aquelas manifestações que lemos nos manuais sobre a doença que estão acontecendo em nossa família, em nossa casa, fazem parte de um conjunto de sintomas da Doença de Alzheimer e que nada disso é pessoal e dirigido para nos magoar.
Não é fácil!
Somos seres humanos com nossas forças e fraquezas!
Somos afetados pelos comportamentos do doente!
Temos raiva!
Temos vergonha!
Queremos a resposta mágica!
Há momentos em que é preciso aceitar isso também e nos perdoar. Não temos que ser Super Homens ou Super Mulheres!
Temos o direito de errar, porque errando é que se acerta, é que se faz. Quem tem medo demais de errar, deixa de fazer, de tentar acertar. Além do mais, nesta doença não tem certo ou errado. Tem o adequado para cada momento, para cada família.
Sabemos que é preciso ter paciência, controle, tranqüilidade, mas tem hora que perdemos a paciência, o controle, a tranqüilidade. Mas, se conseguirmos enxergar tudo isso como parte de um processo de crescimento, a cada dia teremos mais consciência de nós mesmos, de nosso comportamento e das influências de nosso estado de humor no nosso doente. Buscaremos então ajuda nestes momentos, afastamento do estresse diário, buscando novas energias, ar e luz para nossa renovação e fortalecimento.
O que escrevo aqui não deve ser encarado como um Manual – porque os manuais não se aplicam aos seres humanos. Na verdade, os manuais nos frustram porque nos revelam quão incompetentes nos somos em lidar com nossos doentes. Por mais que nos esforçamos, não correspondemos às expectativas dos manuais.
Ninguém é perfeito, portanto, não almeje a perfeição.
Respire fundo e relaxe!
